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Artigos › 23/11/2018

Um rei na cruz

Com a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, dia 25 de novembro, concluímos o Ano Nacional do Laicato. Qual o legado que fica para a identidade, a espiritualidade e a missão dos leigos e leigas na Igreja e no mundo? Em nossas paróquias e Diocese, as iniciativas foram muitas: celebrações, retiros, palestras, cursos, tríduos, romaria diocesana, encontros nos grupos de reflexão, leituras e aprofundamentos. O tema proposto foi muito rico: “Cristãos leigos e leigas sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino”, inspirados nas imagens bíblicas do “sal da terra” e “luz do mundo” (cf. Mt 5, 13-14).

Na cena da crucificação de Jesus de Nazaré, os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, anciãos e fariseus gritavam: “É o Rei de Israel! Desça agora da cruz, e passaremos a crer nele’ (Mt 27,42). O fato e a mensagem de um rei na cruz é “escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1Cor 1,18). É um rei de outro modo. Não cabe na lógica mundana da ambição, da competição, da opressão e da corrupção. É rei do Reino de Deus: “reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz” (Prefácio da missa). A lógica do evangelho de Jesus exprime-se na humildade e na gratuidade, afirma-se silenciosa mas com a força da verdade que não precisa de propaganda.

A conclusão do Ano Nacional do Laicato vem confirmar que o caminho dos cristãos leigos e leigas é esta humilde presença do “sal”, que está aí sem ser notado, mas que oferece sabor. Tem a ver com a profundidade de nossa fé, termos cada vez mais os mesmos sentimentos o mesmo pensamento, o mesmo sentir interior que Jesus teve. Isto é ter sal: convicção, coragem para o testemunho, coerência nas atitudes, com o Senhor Ressuscitado que acompanha nosso caminhar sempre. Num mundo cada vez mais secularizado, de quantos que escolhem viver como se Deus não existisse, a presença de testemunho nos ambientes da vida familiar e profissional reveste-se de particular importância. Os leigos apontam para o verdadeiro sentido da vida que, “com os olhos fixos em Jesus Cristo, autor e consumador da fé” (Hb 12,2), aprende continuamente de sua vida a amar sempre. Recordam o reinado de Jesus Cristo, “que se esvaziou a si mesmo” (Fl 2,6), fazendo-se pequeno e servidor. A identidade do leigo, pelo batismo, está na sua pertença a Jesus Cristo e à Igreja, como um ramo unido ao tronco (cf. Jo 15,5). Sua espiritualidade é o serviço, o amor que se doa e faz o bem. Sua missão, testemunhar o Reino de Deus presente nas famílias, comunidades e no mundo. Isto equivale a dizer que são chamados a ser sinais desta presença do reinado de Cristo: “o Reino de Deus já está no meio de vós” (Lc 17,21).

“Recebei a luz de Cristo”, “caminhem na vida iluminadas por Cristo”, foi o que a cada um de nós o celebrante falou no dia de nosso batismo. À medida que vivermos a fé com coerência, faremos resplandecer em nós e nos outros esta luz de Cristo. Portanto, se somos iluminados por Cristo, nunca é para uma fé intimista, individualista, unicamente eu com Deus. Não, é para voltar-se para fora. Ai de nós se faltasse a fé para nos guiar nestes tempos complexos! Ser luz é ir ao encontro dos irmãos para anunciar a Palavra, para iluminar, para dar sabor e sentido à vida. Quantos batizados ainda não tiveram a alegria de conhecer Jesus Cristo, de senti-lo vivo, presente todos os dias da vida.

Parabéns aos leigos e leigas, pelo vosso dia. Resta-nos um caminho longo a percorrer para vivermos a corresponsabilidade na única missão eclesial, na sinodalidade. Um rei na cruz é nosso modelo.

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta, via CNBB

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