
Ao contrário de muitas paróquias que têm uma realidade marcada pelo distanciamento de pessoas e ausência de lideranças, a Paróquia São Pedro Apóstolo de Pato Branco (PR) vê crescer ativamente o número de paroquianos. Um retrato disso pode ser observado na tradicional Festa do Padroeiro, um dos momentos mais aguardados do calendário paroquial. É um tempo de grande mobilização comunitária, onde voluntários se dedicam sem medidas para oferecer o melhor nesta “evangelização” feita, todo ano, nas festividades de São Pedro.
Mais de 65 mil pastéis estão sendo preparados para a Festa e, em alguns dias, o povo tem que enfrentar fila para entrar no Pavilhão São Pedro. Do grupo de voluntários que atua na cozinha está o casal Paulo e Olanda Dorigo, que já tem 33 anos servindo na Festa. Há duas semanas o casal preparou mais de dois mil quilos da esperada buchada (também conhecida como bucho ou dobradinha) e, para esse trabalho, levantava às 3 horas, ficando até as 22 horas. “Não vou mentir: é cansativo. Tem que deixar a casa, deixar a família, deixar tudo pra estar aqui”, diz Paulo. Para ele compensa, tudo é feito com “bastante amor e dedicação”.
Aos 75 anos (Paulo) e 73 anos (Olanda), reconhecem que idade começa a pesar. “Mas estamos aí; vamos ver até quando a gente vai aguentar ainda”, pondera Paulo. Para os pastéis são preparados os recheios: carne moída, palmito, pizza, queijo, chocolate, banana, prestígio, além de caldo de galinha, caldo de feijão, quentão, canja, pinhão, pipoca e espetos de morango.
A voluntária Lida sorri e garante que ela tem o nome mais bonito da festa. Pra não esquecer nunca mais. Neta de italianos, ela sempre trabalhou na festa e apresentou a “Mãe dos Pastéis”, a pessoa que tem a receita da massa dos pastéis. Conhecida como a “Mãe dos Pastéis”, Dona Carmem Bortolan conta que não existe alegria maior do que trabalhar como voluntária. Gaúcha, aos 69 anos, ela vive sozinha, pois o filho, que nasceu em Pato Branco, mora e trabalha em Porto Alegre. Para ela, o trabalho é uma terapia, pois “em casa podemos pensar besteiras. Então, tem que trabalhar e se movimentar”, ensina.
Para Carmem, o trabalho voluntário também é uma oração, uma evangelização, porque “a gente faz com tanto amor”. “Aqui, tenho que me lembrar que estou atingindo muita gente com o meu trabalho e tenho que fazer o melhor”, confessa, temerosa porque a grande maioria é formada por idosos. “E quando essa geração partir?”, perguntou.
Catiana Goldoni faz o espeto de morango, que neste frio é muito procurado porque sai quentinho com chocolate. “Faz uns 7 ou 8 anos que trabalho na equipe dos doces. Nosso objetivo é ajudar a comunidade”, expressa.
O bolo de São Pedro conta com a equipe de 15 mulheres, mas o grupo cresce com a ajuda das voluntárias. Hoje, temos também a presença de dois jovens do Projeto SOS, que ajudam a lavar as panelas e formas dos bolos”, diz Noeli Pastorello Suttile, conhecida por suas companheiras de confeitaria como Neca.
Sua história como boleira começa quando enfrentou um desafio muito grande em sua família. “Fui boleira durante 15 anos em minha casa e sem formação. Quando minhas crianças nasceram, um próximo do outro, optei por parar de trabalhar para ficar com eles. E aí as coisas apertaram, pois meu marido ficou desempregado por dois anos. Nossa, foi uma situação bem difícil. E como eu sempre gostei de fazer essas coisas, fazia para mãe, para os sobrinhos e todo mundo gostava”, revelou. Aí teve início o seu negócio. Tinha uma edícula em sua casa que a transformou para fazer os bolos, que entregava para toda a região. “Só que daí as crianças cresceram, as meninas saíram, foram estudar fora. Aí pensei: agora chega! Estava cansada, pois é uma coisa que cansa bastante. Mudei para um apartamento, mas guardei todas as minhas formas, todas as minhas batedeiras, o meu forno, e não me desfiz de nada”, revelou. Com isso, acabou ajudando mulheres que passara pela mesma situação e hoje são boleiras na Festa de São Pedro. “Nunca escondi receita de ninguém. Tudo o que eu aprendi a fazer, ensino”, acrescentou. Seu trabalho na Festa começou em 2003, quando teve outros locais para fazer os bolos e tortas. Atualmente usam a cozinha da Casa de Formação Frei Policarpo. Aliás, Neca conta que o frade, que para o pato-branquense já é santo, salvou as boleiras quando numa ocasião alguns bolos estavam tomados por “formiguinhas doceiras”. Frei Policarpo deu a bênção e as formigas desapareceram. “A gente ficou desesperada porque toda a produção da montagem seria feita no outro dia. O Frei Policarpo é o homem das bênçãos”, concluiu.

No início da Novena, no dia 20/6, o pároco Frei Evandro Balestrin deu a bênção ao grupo de boleiras que iniciava os trabalhos no Centro de Formação.
Para complementar as festividades, a tradicional Ação entre Amigos está de volta: os bilhetes, ao custo de R$ 25,00, podem ser adquiridos na secretaria paroquial, com os movimentos da Igreja e diretamente no Pavilhão São Pedro. O sorteio ocorrerá na noite de 3 de outubro, a partir das 21h, no Pavilhão, com prêmios que incluem uma moto elétrica, um quadriciclo, uma TV de 65″ e mais sete prêmios.
Pascom da Paróquia







